Três dos últimos sete governadores do Rio de Janeiro foram presos

16/11/2016 - Campos de Goytacazes - RJ, Brasil - O ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, foi preso hoje (16/11), pela Polícia Federal. Garotinho é suspeito de envolvimento em uma esquema de compra de votos.

Desde que o Brasil voltou a ser uma democracia, o Rio de Janeiro elegeu 7 governadores. Destes, já morreram Leonel Brizola e Marcello Alencar. Dos cinco restantes, três foram presos: Sérgio Cabral, Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho – ou praticamente todos os governadores fluminenses eleitos que geriram o estado entre 1999 e 2014.

Só Luiz Fernando Pezão e Moreira Franco continuam livres, muito por causa do foro privilegiado, pois ambos estão sob a mira de investigações de peso, como as operações Lava Jato – tanto a de Curitiba, como a do Rio.

Quanto ao secretário-geral da Presidência da República, o próprio Ministério Público Federal já foi claro ao dizer que Michel Temer apenas o nomeou Moreira Franco para blindá-lo do trabalho conduzido por Sérgio Moro e Marcelo Bretas.

Nos últimos 34 anos, Nilo Batista e Benedita da Silva também assumiram o governo fluminense por alguns meses. Mas em casos distintos: tinham sido eleitos vice-governadores quando os titulares (Brizola e Garotinho, respectivamente) liberaram a cadeira para serem derrotados nas corridas presidenciais de 1994 e 2002.

Despesas pessoais de Sérgio Cabral chegavam a R$ 4 milhões por mês

29/10/2010 - Rio de Janeiro- RJ, Brasil- O ex-governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, foi preso na manhã desta quinta-feira (17/11), pela Polícia Federal, durante uma das fases da Operação Lava Jato.

Se a Lava Jato curitibana parece ter entrado numa fase em que atua mais nas planilhas do que nas ruas, a carioca, um ano após a prisão de Sérgio Cabral, dava apenas os primeiros passos. Foi o que garantiu a O Globo o procurador Eduardo El Hage, que coordena a força-tarefa no Rio de Janeiro.

Para se ter uma noção do tamanho dos peixes capturados pelos investigadores, Hage entregou que o ex-governador detido em 2016 gastava R$ 4 milhões por mês só com despesas pessoais.

Repetindo: por mês.

“É difícil, porque o saque aos cofres públicos foi monstruoso. O mínimo seria o que foi devolvido pelos irmãos Chebar (delatores): US$ 100 milhões. Mas, antes da devolução, enquanto o ex-governador estava solto, muito já tinha sido gasto, então esse valor (desviado) é bem superior. A gente viu que ele (Cabral) tinha um gasto mensal de R$ 4 milhões com despesas pessoais. O desvio que foi feito na Secretaria de Saúde é algo que ainda vamos revelar com mais detalhes. Envolve grandes multinacionais do setor de Saúde, que fizeram importações fraudulentas com o governo do estado do Rio. Causaram um dano que a gente ainda vai revelar em próximas fases.”

Mas é sempre bom lembrar que o trabalho poderia estar sendo bem mais efetivo se Gilmar Mendes não estivesse dificultando tanto o trabalho dos investigadores. E de o governo Temer não estivesse criando obstáculos para o trabalho da Polícia Federal.

Sócio do filho de Lula levou mais de R$ 10 milhões em negócio com o governo de Sérgio Cabral

14.06.2007 - O presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, e o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, à frente do Cristo Redentor.

Quando governou o Rio de Janeiro, Sérgio Cabral laçou o “Conexão Educação”, um programa que distribuiria 1,5 milhão de cartões eletrônicos que serviriam para controlar o consumo de merenda, frequência em aula e até uso do transporte público pelos estudantes fluminenses.

Desenvolvido em parceria com a Oi, a telefônica contratou a Gol Mobile para implementar a tecnologia. Para tanto, e ainda que o projeto jamais emplacasse, pagou R$ 100 milhões, dos quais mais de R$ 10 milhões ficaram com Jonas Suassuna, sócio da fornecedora. O caso foi descoberto pelo Antagonista.

Suassuna ficou conhecido por ser o dono oficial do sítio usado por Lula em Atibaia. A intimidade é tamanha que o empresário é sócio de um dos filhos do ex-presidente.

A PF calculou em R$ 183 bilhões o prejuízo causado ao Rio de Janeiro por esquema de Sérgio Cabral

Rio de Janeiro – RJ, 04/04/2014 – Sérgio Cabral transmite cargo de governador para Luiz Fernando Pezão.

Em mais uma tentativa de desbaratar o esquema de propina ativo na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a Lava Jato em sua versão fluminense foi às ruas no 14 de novembro com a “Cadeia Velha”, mais uma etapa da operação. Nela, prendeu um filho de Jorge Picciani, presidente da Alerj e “todo poderoso” do PMDB estadual.

De acordo com o delegado Alexandre Ramagem, o esquema montado por Sérgio Cabral com o patriarca da família Picciani era tão danoso aos cofres públicos que impediu que o Rio de Janeiro arrecadasse mais de R$ 183 bilhões.

Bilhões!

Nada disso seria possível sem o apoio da casa legislativa e do Tribunal de Contas do Estado. Os investigadores não tiveram dúvida de que a ação é responsável direta pelo caos econômico que vive o povo fluminense.

A “Cadeia Velha” foi entendida localmente como a maior ação policial desde a prisão de Sérgio Cabral um ano antes.