Um em cada cinco beneficiários da “bolsa pesca” nem sequer era pescador

O seguro-defeso funciona como uma “bolsa pesca” criada pelo governo Lula para ajudar pescadores no período em que a pesca é proibida. Com isso, o beneficiário recebe um salário-mínimo (atualmente em R$ 937,00) durante quatro meses por ano – em média.

Contudo, como boa parte do projetos assistencialistas das gestões petistas, o projeto foi elaborado com enormes brechas. A principal: os próprios beneficiários se responsabilizam pelo fornecimento de dados para inscrição. E, como esperado, as fraudes estouraram. Entre 2008 e 2015, o número de inscritos praticamente dobrou, e o custo do programa saltou de R$ 602 milhões para em torno de R$ 2 bilhões.

Só no governo Temer, entretanto, foi passado o devido pente fino nos cadastros, que já superavam o milhão de pescadores. Ou “pescadores”. Porque a CGU descobriu, por exemplo, que um em cada cinco inscritos nem pescava. Que a “Bolsa Pescador” virou moeda de troca, com aumento de inscritos em até 760% na eleição de 2014. Que dois em cada três beneficiários não teriam direito a receber o seguro-defeso. E que as fraudes roubavam R$ 1,5 bilhão por ano do povo brasileiro, ou basicamente 75% dos orçamento.

Nas palavras da própria CGU, trata-se de uma política pública “ineficiente em nível intolerável“. E só uma reformulação completa do programa daria jeito na situação.

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Publicado por

Marlos Ápyus

Jornalista e músico. Edita o implicante.org desde julho de 2017. Siga-o no Twitter (@apyus) ou no Facebook (/apyus), ou contribua com o crowdfunding (financiamento coletivo) clicando aqui.

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